quarta-feira, 7 de maio de 2014

Desafios de Leitura - Ler é uma Festa

Susana Ferreira, do 9º B, foi a vencedora do Desafio de Leitura - "Ler é uma Festa".
A aluna recebeu um certificado e um prémio pela sua participação neste desafio que encerrou o ciclo deste ano letivo. Para o próximo ano a biblioteca escolar continuará a dinamizar esta atividade de modo a promover a leitura e o livro impresso.


Formação Ferramentas Web 2.0

Inicia-se hoje, dia 7 de maio, pelas 15h30, na sala 16, o ciclo de formação em Ferramentas Web 2.0.
Esta formação inicia-se com a apresentação e exploração da ferramenta Prezi. A segunda sessão, a realizar-se no dia 14 de maio destinar-se-á a atividades práticas de aplicação da referida ferramenta.

Devido ao elevado número de inscrições, a Biblioteca Escolar e a formadora Susana Oliveira optaram por calendarizar outras sessões para os dias 28 de maio e 4 de junho, às 16h30, na sala 16, pelo que os interessados poderão fazer a sua inscrição, até 16 de maio,  enviando um e-mail para: bibliotecaescolar@aefigueiramar.pt

Serão aceites até 25 inscrições por ordem de receção dos e-mails.

No dia 21 de Maio terá lugar a sessão Wordle, pelas 15h30, na sala 16. As inscrições nesta formação encontram-se encerradas.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Bibliotecando em Tomar

 
Cerca de duzentas pessoas vão estar envolvidas no Bibliotecando em Tomar "Leituras de Lendas e Mitos" da ciência, da literatura, da (nossa) história, dos templários e dos processos de colonização e descolonização.
 
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 29 de abril de 2014

ABERTURA DAS RESERVAS

 
A Divisão de Cultura convida V. Exas a estarem presentes, amanhã, 29 de abril, pelas 21h30, no Museu Municipal para assistir às atividades Comemorativas do 161º aniversário do nascimento de António dos Santos Rocha, as quais integram a abertura das reservas do Museu Municipal ao público.
 
A partir de amanhã ficarão pois visitáveis as reservas de armaria, etnografia e curiosidades. Quem visitar o espaço poderá também encontrar alguns exemplares da coleção de mobiliário e de equipamento fotográfico.
A reserva de etnografia contém coleções provenientes de diversas regiões de África, do Brasil, de Timor e, em menor número, da China e do Japão
 

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Concurso Nacional de Leitura - Fase Distrital

Aproxima-se o dia em que decorrerá, na Biblioteca Municipal Miguel Torga, em Arganil, a Fase Distrital do Concurso Nacional de Leitura-2014.
A Biblioteca Escolar  apoia todos os alunos concorrentes do Agrupamento de Escolas Figueira Mar que participam nesta prova, desejando-lhe boas leituras e um ótimo desempenho!

A norma do concurso e o alinhamento da prova pode ser consultado Aqui

quinta-feira, 24 de abril de 2014

"25 de abril - vezes 40"


No ano em que se assinala os 40 anos da revolução de abril, a biblioteca escolar propõe à comunidade educativa, através da exposição " 25 de abril - vezes 40 ", uma reflexão sobre os valores democráticos.
No interior da biblioteca encontram-se  caricaturas de figuras importantes na revolução de abrill, bem como de personagens relevantes no pós 25 de abril.










Exposição organizada pela professora Filomena Sousa, com imagens de Elísio da Cruz.
Caricaturas por Elísio da Cruz.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

"Livro - uma tecnologia atual"

Neste dia em que se celebra o Dia Mudial do Livro, não deixe de visualizar este interessante vídeo sobre as vantagens deste importante meio de transmissão de informação e cultura.

Os livros...

"Os livros, esses animais sem pernas, mas com olhar, observam-nos mansos desde as prateleiras. Nós esquecemo-nos deles, habituamo-nos ao seu silêncio, mas eles não se esquecem de nós, não fazem uma pausa mínima na sua vigia, sentinelas até daquilo que não se vê. Desde as estantes ou pousados sem ordem sobre a mesa, os livros conseguem distinguir o que somos sem qualquer expressão porque eles sabem, eles existem sobretudo nesse nível transparente, nessa dimensão sussurrada. Os livros sabem mais do que nós mas, sem defesa, estão à nossa mercê. Podemos atirá-los à parede, podemos atirá-los ao ar, folhas a restolhar, ar, ar, e vê-los cair, duros e sérios, no chão.

Quando me pediram para entrar numa sala, entrei. Não contava surpreender-me. Estávamos numa biblioteca pública e eu era capaz de imaginar com antecedência o que me queriam mostrar. A senhora que caminhava dois passos à minha frente era dona de uma voz branda, feita de boa fazenda, e dizia que se tratava da oferta de um senhor que tinha morrido. O filho tinha cumprido a vontade do pai e tinha acordado as condições com a biblioteca: quase nenhumas. A sala não era uma sala, era uma sucessão de salas. Cada uma delas estava completamente ocupada por estantes cheias. Com a mesma voz de antes, a senhora explicava-me que os livros tinham vindo nas próprias estantes onde estavam. Uma empresa de mudanças tinha-se ocupado desse serviço durante dia e meio, sem parar, meia dúzia de homens.

Eu já vi muitos livros e não contava surpreender-me mas, depois, prestei mais atenção. Enquanto ouvia a descrição do cenário em que encontraram os livros - uma casa cheia de livros, todas as paredes cheias, do chão ao tecto, prateleiras com duas fileiras de livros, pilhas de livros - foquei o meu olhar nas lombadas, nos títulos. A forma como estavam ordenados, lembrou-me a caligrafia da minha avó, uma caligrafia septuagenária, agarrada a uma perfeição talvez desnecessária, a um esforço de manter a correcção mesmo depois de estar quase tudo perdido, como se essa correcção pudesse salvar. Tratava-se de uma organização que previa a dimensão estética - o tamanho das edições, as colecções, as cores das capas - mas, também, uma vertente literária - géneros, história da literatura - e alfabética - B depois do A. Por vincos ínfimos, dava para perceber que eram livros lidos. Mas tão bem tratados, tão minuciosamente acarinhados. Ao mesmo tempo, entre prateleiras, entre salas, fui percebendo quais eram os autores que, criteriosamente, não estavam representados e quais os que tinham toda a sua obra naquelas estantes; fui percebendo quais os períodos e os temas que interessavam à pessoa que juntou todos aqueles milhares de livros.

É uma vida, repetia a senhora, é uma vida inteira. E contou que aqueles livros estavam agora à espera de serem catalogados e, a pouco e pouco, arrumados junto dos outros. Foi nesse momento que consegui distinguir com clareza o quanto estavam assustados. Olhavam para todos os lados, não conheciam o futuro que os esperava. Afinal, o eterno podia mudar com tanta facilidade, bastava um sopro. Foi nesse momento que consegui distinguir as suas vozes fininhas, a cruzarem-se no ar daquelas salas, cheiro a livros e a medo. Vestidos com roupas novas, roupas nobres e tão despreparados para as exigências de uma realidade feita de mãos e transtornos, feita de pressa real.

Muito tempo depois de sair de lá, a quilómetros de distância, voltei a pensar naqueles livros. Aquela selecção privada iria diluir-se nas prateleiras da biblioteca. O fim de uma ilusão costuma causar-me melancolia. Foi o caso. Muito provavelmente, na memória daqueles livros, o tempo que passaram nessa casa antiga, protegida, iria diluir-se também. Daqui a anos, depois de mundo e cicatrizes, ao encontrarem-se por acaso poderão nem sequer reconhecer-se. Poderão ser como aquelas pessoas que se reencontram e que não sabem se devem cumprimentar-se ou não e que, ao não fazê-lo, é como se tivessem deixado de conhecer-se.

Os livros, esses animais opacos por fora, essas donzelas. Os livros caem do céu, fazem grandes linhas rectas e, ao atingir o chão, explodem em silêncio. Tudo neles é absoluto, até as contradições em que tropeçam. E estão lá, aqui, a olhar-nos de todos os lados, a hipnotizar-nos por telepatia. Devemos-lhes tanto, até a loucura, até os pesadelos, até a esperança em todas as suas formas."


José Luís Peixoto, in Jornal de Letras (Maio, 2011)